Sobre a superação de obstáculos em sala de aula

Escrito por Carina Fragozo
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Sempre gostei de filmes que mostram a vitória de professores sobre as dificuldades encontradas nas escolas. Acabo de assistir ao filme “Escritores da Liberdade” (Freedom Writers, EUA, 2007), que me fez refletir sobre as minhas próprias experiências em sala de aula. O filme, baseado em uma história real, conta a trajetória da professora Erin Gruwell, de 24 anos, em seu primeiro emprego. No primeiro dia de aula, ela se depara com uma classe dominada pela violência e pelo desrespeito. Mesmo um pouco desiludida pela realidade da turma, Erin não desiste de tentar superar as dificuldades ali encontradas, e passa a utilizar referências comuns às vidas dos alunos para ensinar-lhes a matéria. O resultado foi o início de uma nova fase na vida de cada um daqueles alunos que, sem o estímulo dessa professora, poderiam não ter tido um final muito feliz.
Assim como Erin, me deparei com uma realidade muito diferente da minha no meu estágio da faculdade, quando tinha 19 anos. Lecionei para uma turma de quarta série em uma vila muito pobre de Porto Alegre, com alunos entre 10 e 16 anos. Era inverno e nunca esqueço que algumas crianças usavam chinelos de dedo sem meias porque não tinham outro calçado, e aqueles pezinhos gelados jamais saíram da minha cabeça. Mesmo sendo muito pobres e convivendo com a violência diária, lembro que no último dia de aula recebi várias cartinhas e abraços carinhosos, o que demonstrou o lado afetivo daqueles alunos. É claro que em 10 horas/aula do estágio eu não poderia solucionar todos os seus problemas mas, por menor que seja a contribuição, o esforço sempre valerá a pena.
A cada novo grupo de alunos, o professor se depara com o desconhecido, e o desafio é, pouco a pouco, criar algum tipo de conexão com eles para que as aulas façam o máximo de sentido para o grupo. Na aula de língua estrangeira, é comum o professor ter o desafio de estimular alunos tímidos, controlar grupos indisciplinados e motivar os alunos a aprenderem uma língua que talvez não gostem.
Assim, mesmo que nossos alunos não sejam integrantes de gangues como no filme mencionado, obstáculos sempre surgirão, e o nosso papel deve ser sempre o de considerar a realidade do grupo e de cada indivíduo a fim de estimular ao máximo a sua capacidade.

 

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