Sobre vídeo em "Diário de Classe"

Escrito por Carina Fragozo
Esta semana foi muito comentada a iniciativa da estudante Isadora Feber, de 13 anos, que criou uma página no Facebook para expor os problemas da escola pública onde estuda, em Florianópolis. Achei a atitude louvável, pois sempre estudei em escola pública e muito me incomodava com a falta de infra-estrutura, a ausência de professores e com determinadas deficiências no ensino. Portanto, apoio toda forma de debate a respeito do assunto.
Entretanto, ao procurar saber um pouco mais sobre tal página me deparei com uma publicação que me deixou muito incomodada. A aluna publicou um vídeo de uma aula de matemática na qual os alunos gritavam e bagunçavam, ignorando a presença do professor. Segundo ela, “o professor bateu na mesa para ficarem em silêncio, e todos começaram a imitar ele, então comecei a filmar”. No dia 24 de agosto, a aluna afirma que postou o vídeo  e não irá tirá-lo da internet “até que ele (o professor) realmente vá embora da nossa escola”. Mas como assim? Acredito que a aluna tenha pecado duas vezes: uma por ter utilizado o celular em sala de aula, e outra, muito mais grave, por ter denegrido a imagem de um profissional ao expor seu nome e sua imagem na internet. Por que ninguém filma/fotografa os projetos maravilhosos que muitos professores demoram dias planejando para, finalmente, aplicá-los em sala de aula? E por que, ao invés de criticar somente a postura do professor, não se questionam as deficiências da educação DENTRO DE CASA, aquela que deveria ter sido proporcionada pelos pais? 
Quem critica a postura do professor, provavelmente não sabe o que é controlar mais de 30 crianças/adolescentes nos dias de hoje. Eu mesma já tive vontade de chorar algumas vezes, quando imaginava uma aula perfeita na minha cabeça e me deparava com uma falta de disciplina tremenda por parte dos alunos. E se algum aluno tivesse gravado com seu celular algum momento de agitação na minha aula? Eu também seria demitida e exposta na mídia como a causa do fracasso na educação?
Ser professor não é apenas dominar conteúdos, e sim ter capacidade de acalmar os ânimos, lidar com situações adversas e transmitir o conhecimento de maneira significativa para a realidade do aluno. Isso não se aprende na faculdade e nem nos livros, e sim na prática. E parece que, cada vez mais, o professor perde seu valor na sociedade brasileira.


Quanto ao professor de matemática? Sim, ele foi afastado da escola (veja notícia). 

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