O que é Linguística?

Escrito por Carina Fragozo
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Quando digo que tenho formação em Linguística, muitas pessoas ficam em dúvida a respeito do objeto de estudo dessa ciência. Como alguns leitores podem ter a mesma dúvida, escrevi este post como uma pequena introdução a esse estudo. 
A Linguística é a ciência que estuda principalmente a linguagem verbal humana, ainda que  a linguagem não-verbal  também seja estudada em disciplinas como a Semiótica. Ao contrário do que alguns acreditam, o linguista não é aquele que domina várias línguas, sendo “poliglota” um termo mais adequado para esse caso. O linguista é aquele capaz de falar sobre uma ou mais línguas, sem julgar quais formas sonoras, gramaticais e lexicais são “melhores” ou “piores”, e sim quais são possíveis de ocorrer nas línguas e em que contextos. Ao contrário da Gramática Normativa, que julga o que é “certo” ou “errado” com base na norma culta, a Linguística jamais se utiliza de julgamentos morais, estéticos ou críticos para descrever uma língua.
Vejamos um exemplo no inglês e outro em português:
1. (a) She’s mocking me.
    (b) She mocking me.
2. (c) Eu a vi.
    (d) Eu vi ela.
 Do ponto de vista normativo adotado pela Gramática Tradicional, as sentenças (a) e (c) estão gramaticalmente corretas, enquanto as sentenças em (b) e (d) estão incorretas. Para o linguista, as quatro sentenças estão gramaticalmente corretas, pois são possíveis de ocorrer no inglês e no português e, portanto, merecem ser descritas e explicadas dentro de um quadro científico. As sentenças (e) e (f), por outro lado, são consideradas agramaticais, pois fogem da estrutura esperada no inglês e no português e, por isso, não ocorrem nas línguas:

3. (e) *Me she mocking is.
    (f) * Ela vi eu a.
Até o século XIX, o estudo linguístico era realizado de maneira diacrônica, e o objetivo da Linguística era descrever e analisar mudanças linguísticas através da História. No início do século XX, o linguista Ferdinand Saussure (1857-1913) propôs o ponto de vista sincrônico para o estudo das línguas. A partir de então, as línguas passaram a ser estudadas em sua época. Apesar de enfatizar o estudo sincrônico das línguas, Saussure reconhecia a validade da combinação entre o estudo sincrônico, que analisa o funcionamento das línguas, e o estudo diacrônico, que analisa as transformações que elas sofrem através dos tempos.
Atualmente, o estudo do fenômeno linguístico em conjunto com outras disciplinas que se interessam pela linguagem gerou diversas áreas interdisciplinares, como a sociolinguística, que estuda as relações entre língua e sociedade, e a psicolinguística, que estuda os processos mentais envolvidos na aquisição da linguagem pelas crianças e na aprendizagem de uma língua estrangeira.
Bibliografia

Fiorin, J.L. Introdução à Linguística – Objetos Teóricos. São Paulo: Contexto, 2012.

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