Entrevista para o Educadores Multiplicadores

Escrito por Carina Fragozo
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Queridos leitores, fui entrevistada mais uma vez, agora pelo Educadores Multiplicadores. O site reúne dezenas de blogs educacionais, de diversas disciplinas, e há três meses inaugurou o espaço “Fala Multiplicador”. Foi interessante conceder esta entrevista porque muita coisa mudou desde que fui entrevistada pelo Portal da Língua Inglesa, em 2011. Vejam só: 


Olá amigos, sou Irivan, idealizador do Educadores Multiplicadores, e estou dando continuidade ao quadro “Fala Multiplicador”, no qual um Educador Multiplicador é convidado a participar de uma entrevista. Essa interação nos permite conhecer e aproximar, cada vez mais, os Multiplicadores parceiros.

A entrevistada de hoje é a nossa amiga Carina Fragozo do blog English in Brazil. Lembrando que há mais entrevistados no Educadores Multiplicadores, confira!
 Vamos à entrevista, aproveite!
E.M. Fale um pouco de você. Quem é Carina Fragozo?
É estranho falar de mim, mas geralmente dizem que sou determinada, estudiosa e alto astral. Sempre fui uma boa aluna na escola e na faculdade e, logo que me formei em Letras, com 20 anos, ingressei no mestrado em Linguística. Sou simplesmente apaixonada pelo ensino/aprendizagem de línguas e pelos estudos em Linguística, principalmente na área da Fonologia. Sou gaúcha, sempre amei a cultura do Rio Grande do Sul e nunca tinha pensado em morar em outro estado. No ano passado, entretanto, meu marido recebeu uma proposta para trabalhar em São Paulo e aqui estamos desde então. Estou gostando muito da cidade e, em pouco tempo, vejo muitas portas se abrindo por aqui.

E.M. Você atua como professora? Conte-nos um pouco do que faz como profissional.

Sou professora de inglês desde os 17 anos de idade. Durante a graduação em Letras, comecei a lecionar em uma escola de idiomas da minha cidade. A partir de então, trabalhei em mais duas escolas de idiomas, em uma escola regular, com alunos do ensino médio, e em uma escola técnica, onde ensinei inglês instrumental para os cursos de Informática e de Meio Ambiente. Logo que cheguei em São Paulo comecei a trabalhar em uma escola de idiomas no meu bairro. Quatro meses depois, recebi por e-mail uma proposta para trabalhar como avaliadora de dados de fala na Google Brasil. Mandei meu currículo e no outro dia eu já estava sendo entrevistada pela Andréia Rauber, referência em projetos de tecnologia de fala no Brasil e no exterior. Fui selecionada para o projeto e, junto a uma equipe de mais 5 linguistas, trabalhei para a melhoria de softwares de voz da Google, principalmente os comandos de voz do sistema Android. O projeto linguístico, assim como o Google Street View, tem caráter temporário, sendo que as equipes são trocadas a cada seis meses. Nossa equipe foi a pioneira no Brasil e o contrato acabou há poucas semanas. A experiência foi fantástica, e é maravilhoso saber que, em pouco tempo, estará disponível para a população brasileira um sistema de comandos de voz muito rico, e que pude contribuir para isso. Atualmente, continuo lecionando aulas particulares, fazendo versões, traduções e revisões de artigos científicos, e ainda realizando alguns trabalhos linguísticos para a empresa Appen Butler Hill.
E.M. Sabemos que a tecnologia é aliada da Educação. Nos últimos anos, temos visto que alguns estados/cidades estão distribuindo tablets para alunos/professores e equipando as escolas com sala de informática com acesso a internet. Você acha que os alunos e professores estão preparados para tirar proveito destas ferramentas?
Sou uma amante da tecnologia, e acredito que ela pode ser uma grande ferramenta educacional quando bem utilizada. Em uma escola de idiomas onde trabalhei, todas as salas continham um Interactive Whiteboard (quadro interativo), e os professores recebiam um treinamento específico para lidar com o quadro e explorar ao máximo seus recursos. Em outra escola, por outro lado, o quadro estava lá, mas o treinamento restringiu-se ao uso de ferramentas muito básicas. Portanto, de nada adianta fornecer os tablets se os professores não receberem um treinamento intensivo para aliá-los à educação.

 E.M. Se você não fosse Professora/Educadora, que outra profissão você exerceria?
Já tenho aliado o ensino a outras atividades relacionadas à linguagem há algum tempo. Consigo conciliar o ensino de inglês com traduções/versões e com outros trabalhos de consultoria linguística.
E.M. Qual sua opinião sobre o piso salarial do magistério, já aprovado, e o “plano” do Senador Cristovam Buarque de federalizar a educação básica no Brasil?
O salário que os professores de escolas públicas recebem não é nada atraente, tanto que as salas de aula nos cursos de licenciatura estão cada vez mais vazias nas universidades do país. Todos dizem que “a educação é o caminho para o desenvolvimento”, mas como conquistar esse desenvolvimento entregando um giz e uma sala de aula lotada para os professores? Só quem já lecionou sabe o quanto pode ser cansativo entrar de sala em sala pedindo atenção e lidando com os mais variados tipos de problema. Para aumentar a renda, a maioria dos professores acaba assumindo uma jornada tripla, o que diminui a qualidade das aulas e faz com que cada vez mais haja profissionais estressados, cansados, desacreditados, e isso é muito triste. Acredito que além do aumento de salário, deveria haver mais incentivo à educação continuada e mais escolas, para diminuir o número de alunos em sala de aula. Ainda não sei quais seriam as consequências da federalização da educação no Brasil, mas acredito que não seja a solução para os nossos problemas.
E.M. Você acha que os profissionais da educação são bem vistos pela sociedade? A sociedade sabe e reconhece o papel desses profissionais?
No Brasil, o professor não tem o mesmo status de um médico ou um engenheiro, por exemplo,  mas acredito que a sociedade reconheça sua importância, sim. Afinal, não haveria médicos, engenheiros ou advogados sem o auxílio de um professor. 

E.M. Você acha que o Professor tem sua parcela de culpa em deixar ou permitir que a sociedade não o valorize?
De maneira alguma! 
E.M. Comenta-se que os professores não comungam das mesmas opiniões, principalmente para fazer greve e paralisações, disseminando a ideia de que a classe é desunida. O que você pensa a respeito?
Não sei se, no geral, a classe é desunida. Nunca trabalhei no ensino público, mas acredito que as greves são necessárias para chamar a atenção das autoridades sobre os problemas enfrentados nas escolas. Na minha opinião, a classe dos professores de idiomas é bastante unida. Participo há algum tempo de convenções da Apirs  (Associação de Professores de Inglês do Rio Grande do Sul) e as palestras e oficinas estão sempre cheias.
E.M. Como você gostaria que fosse o ambiente escolar? O que a sala de aula deveria ter para que o trabalho (de educar) fosse melhor aproveitado?
Em uma escola ideal, as salas de aula, especialmente as de língua estrangeira, teriam no máximo 15 alunos, número adequado para haver interação e para proporcionar atenção individual aos alunos. A aula de língua estrangeira seria em uma sala específica com rádio, TV ou Interactive Whiteboard e uma estante cheia de dicionários e livros didáticos. Como sei que há escolas no Brasil que não têm nem mesmo classes e cadeiras suficientes para os alunos, ficaria satisfeita se em todas as escolas alunos e professores se respeitassem, que o  professor tivesse apoio da direção e do setor de disciplina, que a escola fosse um ambiente seguro e, por fim, que todos os alunos tivesses as mesmas oportunidades.
E.M. Na sua opinião, qual a razão para tanta violência na escola? Qual o real motivo para o desrespeito enfrentado pelos professores durante as aulas?
Acho que estão colocando muita responsabilidade nas mãos dos professores. Sou daquelas que acreditam que a educação vem de casa. Muitos pais nem conversam com seus filhos e esperam que eles aprendam tudo na escola. Antigamente, os pais cobravam os filhos por terem tirado notas baixas, e hoje cobram do professor. Isso já aconteceu comigo e, felizmente, tive o apoio da direção da escola. 
E.M. O que a motivou a criar um blog? Qual a finalidade dele?
Sentia uma vontade enorme de compartilhar artigos que lia e atividades que preparava para que outros professores pudessem utilizá-las. Atualmente, o blog também serve para divulgar eventos, para discutir aspectos culturais de países falantes de língua inglesa, para divulgar artigos que escrevo sobre educação, pronúncia, vocabulário, dicas de viagem, projetos que criei e apliquei nas escolas onde trabalhava e, mais recentemente, entrevistas com pessoas que, de alguma forma, estão relacionadas ao mundo do inglês, do ensino e da Linguística.
E.M. O que você mais gosta na arte de blogar? Qual a parte mais difícil?
Gosto de pesquisar e dos comentários carinhosos que recebo. Gostaria de ter mais tempo para postar com mais frequência, pois acabo postando apenas uma ou duas vezes por semana. Também mantenho uma página no Facebook, na qual compartilho quase diariamente artigos de outros autores e outras “besteirinhas” que circulam na internet, como piadas, charges e curiosidades, todas relacionadas ao inglês.
E.M. Onde você busca inspiração para elaborar suas postagens? Que fontes você costuma pesquisar para embasar suas postagens?
A verdade é que estou sempre ligada. Tive a ideia para a última postagem, por exemplo, quando estava distraída assistindo um programa de variedades na TV. Costumo acessar sites de ensino e leio muitos artigos, e sempre acabo pensando em um post. Antes de postar, sempre confiro as informações em dicionários, no English Experts, em artigos, em livros e em vídeos do YouTube.
E.M. Se você puder nos contar, quais são seus projetos profissionais para 2013?
Estou focada no doutorado em Linguística, e pretendo continuar trabalhando com aulas particulares, traduções e tecnologia da fala.

E.M. Deixe dicas para os Multiplicadores de como um(a) blogueiro(a) deve fazer e do que não deve fazer para ter um bom blogue.

Um blogueiro deve escrever bem (sem erros ortográficos), atualizar o blog constantemente, responder os comentários dos seguidores e criar posts originais e com um bom embasamento. 

E.M. Deixe seus agradecimentos aos seus leitores e seguidores.
Estou muito feliz com o crescimento do English in Brazil e com o aumento no número de visitas e de seguidores. Agradeço muito pelos comentários, sempre motivadores, e pelo apoio
dos seguidores no Facebook.

Agradeço a você, Irivan, pelo convite para participar do Educadores Multiplicadores e de conceder esta entrevista. Parabéns pela belíssima iniciativa de divulgar blogs educacionais e obrigada pela parceria.

E.M. Agradecemos a você, Carina, pela gentileza da entrevista e por contribuir para o crescimento do Educadores Multiplicadores.

Deixamos o convite aos professores e profissionais da educação que tenham blogs com conteúdos voltados para a educação, a fazerem parte da família Educadores Multiplicadores.

Muito obrigado a você e aos seus leitores.

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