Mitos e verdades sobre o aprendizado de segunda língua

Escrito por Carina Fragozo
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Hoje inauguro uma seção com “guest posts” (posts de convidados), pois não há nada melhor do que abrir espaço para quem tem muito a dizer. A convidada é minha amiga Luana Bandeira, mestranda em Letras pela UFSC ([email protected]) e experiente professora de inglês em escolas de idiomas. A autora escreveu este texto baseada no estudo What we know about Second Language Acquisition, desenvolvido por pesquisadores da Texas A&M University, Sun Yat-sen University e Harvard University, e buscou quebrar alguns mitos que costumamos ouvir sobre o aprendizado de segunda língua.

Obrigada por compartilhar seu texto com os leitores do English in Brazil, Luana! Tenham uma boa leitura.
 Sobre o Aprendizado de Segunda Língua
(Por Luana Bandeira)Para melhor informarmos os alunos que sustentam alguns mitos sobre o aprendizado de segunda língua, destaco alguns pontos do estudo mencionado acima.
Primeiramente, professores nativos não são garantia de boa instrução. Muito pelo contrário, professores que dominam a primeira língua do aluno, e que obviamente, têm alta proficiência na segunda língua a ser ensinada são considerados o perfil ideal (sim, o professor pode ser um falante nativo de qualquer outra língua: inglês, alemão, russo, etc.; mas que também domine bem a língua nativa dos alunos – no nosso caso, o português). 
Além disso, aquela história velha de que o curso demora muito tempo para acabar e que há métodos que prometem proficiência em apenas 1 ano, ou até menos, são ideias muito equivocadas que algumas pessoas têm – talvez porque não estejam dispostas a realmente aprender o idioma. Os cursos que oferecem esses métodos “milagrosos” estão interessados apenas no dinheiro dos que acreditam nessa mentira. 
Também ouço muito pessoas perguntando a profissionais da área qual é a melhor forma de ensino de uma segunda língua. O estudo em questão indica que não há “a melhor forma” para ensinar uma segunda língua. Logo, a definição de condições ideais é relativa, pois elas variam de acordo com o contexto de aprendizagem, os objetivos pedagógicos, as características dos alunos/aprendentes e as interações entre o contexto dessas variáveis. Assim:

1) Aprendentes de segunda língua com pouca exposição ao idioma requerem instrução EXPLÍCITA para dominar bem a gramática; 
2) Aprendentes de segunda língua com forte aptidão, motivação e habilidades desenvolvidas em sua primeira língua (no nosso caso, alunos que dominam bem o português como língua nativa), têm mais sucesso na aquisição da segunda língua; 
3) Professores de idioma eficientes demonstram proficiência suficiente na segunda língua, fortes habilidades para instruir os alunos, e PROFICIÊNCIA NA LÍNGUA NATIVA DOS ALUNOS;

 4) Aprendentes de segunda língua precisam de 3 a 7 anos para alcançar proficiência na segunda língua, sendo que aprendentes mais jovens tipicamente levam mais tempo para alcançar proficiência na segunda língua, porém, possuem maior probabilidade de alcançarem resultados mais próximos aos dos nativos da língua em questão. 

 
Por fim, queridos estudantes: conformem-se que dominar um idioma não é uma realização que acontece do dia para a noite. Caso fosse, os professores de idioma não investiriam tanto em constante aprendizado (eu, por exemplo, estou há mais do que metade da minha existência buscando conhecimento e aprimoramento na língua inglesa, e sou professora de inglês). Todavia, fiquem atentos em relação a cursos muito longos que parecem não estar gerando nenhum tipo de resultado no seu desempenho. 
Últimas observações: ter um professor maravilhoso, super proficiente e que domina a arte de ensinar NÃO É SUFICIENTE. Para obter melhores resultados o aluno precisa ter SUA PRÓPRIA motivação. 
E “last but not least”: Valorize seu professor de idioma, pois assim como seu médico, dentista, advogado, psicólogo, etc., nós também estudamos muito (muito mesmo) para oferecer a nossos queridos alunos um serviço de qualidade. E que nós, professores de idiomas, nos valorizemos também. É ultrajante estudarmos tanto e recebermos o salário vergonhoso que muitas escolas de idiomas nos oferecem para que desempenhemos nosso importante e qualificado trabalho (palavras minhas e não do estudo). 
 
 

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